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Cinema com café



Entre Nós, o Amor (Morgan Simon, 2024)
Já nas primeiras cenas deste drama francês, conhecemos Nicole, uma mulher solitária de 52 anos que vive com seu filho em um apartamento cheio de plantas artificiais. Imitando um passado que já não existe mais, ela meio que decreta para si um excesso e uma impossibilidade. A direção, que mira na complexidade e beleza das relações humanas, parece valorizar o impacto dos afetos imediatos: o bairro onde moramos, os comércios próximos, a vista da janela, as pessoas que encontramos

Fernanda Franco


Folhas de Outono (Aki Kaurismäki, 2023)
Que alívio é assistir a um filme em que não somos bombardeados por mil fatos em um segundo. Esta comédia dramática finlandesa é uma preciosidade – dessas que nos alargam um pouco a existência. Com uma atmosfera terna e provocativa, um ritmo simples e uma poética minimalista, diálogos enxutos e nenhuma pirotecnia, cada silêncio dá corpo às cenas, cada coisa durando o seu tempo. A história conta do afeto que flui através do encontro que acorda seus personagens extremamente soli

Fernanda Franco


Não Me Toque (Adina Pintilie, 2018)
Com uma linguagem incomum, este filme romeno acompanha as experimentações de uma mulher que deseja (re)aprender a se conectar e a construir intimidade com outros seres humanos. Para isto, ela busca profissionais que possam ajudá-la nesse processo, proporcionando-lhe experiências de expressão e liberação física e emocional. Ao longo do caminho, ela se depara com seus medos e anseios – que muitas vezes acontecem ao mesmo tempo – e com o paradoxo das máscaras sociais criadas ju

Fernanda Franco


Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)
Uma jovem recém-formada em filosofia e um ator super famoso se conhecem em uma viagem ao Japão. E é nesse lugar de solidão e indeterminação que eles se encontram, de passagem , em pleno caos de Tóquio. O filme chega como uma celebração do acaso enquanto espaços que abrimos para olhar ao redor — e através dos quais nos conectamos a experiências e afetos que não podemos prever, organizar ou sequer imaginar. Pelo olhar sensível e sutil de Sofia Coppola, podemos nos lembrar que a

Fernanda Franco


Pluribus (Vince Gilligan, 2025)
Uma mulher se vê num mundo em que toda a complexidade humana foi substituída por uma mente unificada: uma espécie de vírus psíquico que infectou a humanidade determinando completamente os seus modos de estar na vida. Apartadas e sequestradas de suas emoções e singularidades, as pessoas passam a agir a partir dessa mente-central, numa pseudoexistência pacata e apática, sob uma aparente harmonia permanente. Nessa nova sociedade sem espaço para o conflito, para os ritmos e para

Fernanda Franco


O Filho de Mil Homens (Daniel Rezende, 2025)
Um filme que é um grito e um silêncio. Uma ternura que se instala alargando tudo - inclusive as nossas janelas, nossos olhos de ver. Daquilo de que somos feitos, resta-nos amar o que amamos, ouvindo a alegria que acende o fundo do mar. O afeto faz a gente precisar menos das palavras. A realidade apreende o que sonhamos, daí que precisamos sonhar mais. E libertar todo grito guardado. Tirar a poeira dos sonhos. E acordar.

Fernanda Franco


Mal Viver (João Canijo, 2023)
Numa atmosfera asfixiante vive uma família de cinco mulheres e uma cadela chamada Alma. O filme se passa inteiramente, assim como a vida das personagens, num hotel tão decadente quanto as suas relações. Sair de si através das palavras, navegar até o outro e tocá-lo: como tornar isso possível? Presenciamos, então, exaustivamente o desencontro enclausurado dessas mulheres cujas vidas se reduziram a repetir e ressentir o passado. Fechadas nesse lugar, aprisionadas por seus própr

Fernanda Franco



Fernanda Franco


Frankenstein (Guillermo del Toro, 2025)
Neste filme baseado no clássico literário de Mary Shelley “Frankenstein ou o Prometeu moderno”, o humano é retratado como um ser decadente, obcecado em eternizar-se, contando predominantemente com os pressupostos da ciência, sem antes (ou ao mesmo tempo) ter exercitado suas instâncias afetivas, suas potências mais fundamentais – essas tão atrofiadas ainda. A narrativa nos provoca sobre o quão primitivos, predatórios e destrutivos ainda somos – apesar da nossa complexidade nos

Fernanda Franco


O Homem das Multidões (Cao Guimarães, Marcelo Gomes, 2013)
Como ainda conectar-se à vida diante de tantos excessos? O cansaço que é quando apenas “funcionamos”. Este filme delicadamente, como um ponto de fuga, nos abre novas direções de silêncio de onde a potência do instante nos observa. Como tecer um outro uso da linguagem/palavra/gesto que nos intensifique a presença? Brotação. Num mundo cada vez mais interessado em organizar nossos corpos e tempos, ruas, estradas e prédios, atropelando e escurecendo. Encontrar então um ritmo próp

Fernanda Franco


Respire! (Maggie Kiley, Rebecca Rodriguez, 2022)
Nesta minissérie, a circularidade entre o passado e o presente é o eixo central a partir do qual tudo acontece. Liv, uma jovem...

Fernanda Franco


Solitude (Ninna Pálmadóttir, 2023)
Um homem cujos amigos eram as montanhas, os cavalos e as águas, se vê solitário ao recomeçar a vida na cidade. No caminho ele conhece um...

Fernanda Franco


Meu Bolo Favorito (Maryam Moghaddam, Behtash Sanaeeha, 2024)
Quando uma coisa de repente se torna outra e nos apanha de um jeito inesperado — que nunca sabemos muito bem o que esperamos ou como o...

Fernanda Franco


Noites de Cabíria (Federico Fellini, 1957)
Este filme é um abraço longo e apertado na nossa inocência. Cabíria, ao se relacionar com o mundo a partir de um lugar aberto, vulnerável...

Fernanda Franco


Um lugar bem longe daqui (Olivia Newman, 2022)
Baseado no livro homônimo de Delia Owens, o filme tem uma narrativa poética e reflexiva, além de uma fotografia que funciona como um...

Fernanda Franco
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