Entre Nós, o Amor (Morgan Simon, 2024)
- Fernanda Franco

- 6 de abr.
- 1 min de leitura
Já nas primeiras cenas deste drama francês, conhecemos Nicole, uma mulher solitária de 52 anos que vive com seu filho em um apartamento cheio de plantas artificiais. Imitando um passado que já não existe mais, ela meio que decreta para si um excesso e uma impossibilidade. A direção, que mira na complexidade e beleza das relações humanas, parece valorizar o impacto dos afetos imediatos: o bairro onde moramos, os comércios próximos, a vista da janela, as pessoas que encontramos nos corredores, os espaços, as escadas, os jardins: é através dessas trocas mais imediatamente possíveis que algo vai se produzindo ou se rompendo em nós. As cenas em que as personagens dançam acontecem como uma abertura diante das transformações que as espreitam. Muitas vezes é justamente através da ruptura que a vida pode se continuar e, portanto, se intensificar. Nesses momentos (os de dançar), é como se incorporassem ou se acoplassem ao próprio fluxo da vida, dando corpo ao movimento que interessantemente precede algum tipo de ruptura e inaugura novos espaços. Essa rasgadura-dança aconteceria sempre que não nos apresentamos com recusa à vida? Destaque para o gostoso e potente encontro da atuação fluida e charmosa da Valeria Tedeschi com a sensualidade cheia de presença da Lubna Azabal.





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