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Noites de Cabíria (Federico Fellini, 1957)

  • Foto do escritor: Fernanda Franco
    Fernanda Franco
  • 5 de set. de 2025
  • 1 min de leitura

Este filme é um abraço longo e apertado na nossa inocência. Cabíria, ao se relacionar com o mundo a partir de um lugar aberto, vulnerável e inocente, personifica a antítese de uma existência vulgar. Há quem prefira o conforto de várias peles, uma vez que até uma mínima abertura possa nos custar uma dor tão profunda. O paradoxo (e talvez a maior das vulgaridades) é que justamente essa espécie de anestesia mortificante com que nos protegemos da vida produz outra dor, só que diferente: a dor de estar morto. Assim, paira sobre nós uma espécie de dilema: como ainda permanecermos abertos e porosos à vida, aos afetos, se tantas e tantas vezes os encontros são tão doloridos? Cuidar então dos nossos encontros seria um caminho para potencializar as raízes da nossa alegria? Seria precisamente esse cuidado um ato de carinho para com a nossa inocência? Deixá-la florescer mas não de qualquer jeito, e sim acompanhada de um escutar(-se) terno? O afeto, ahhh, não o determinamos, não domesticamos o que sentimos como se a razão tudo pudesse resolver por nós. Mas podemos caminhar menos cínicos pelo mundo, à espreita de espaços onde caibamos inteiros, onde seja bom o encontrar. Abraçar a dor como quem amanhece, abre uma janela de imensidões e sorri, ainda, com o coração e o corpo em gerúndio — a recomeçar.



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