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Mal Viver (João Canijo, 2023)

  • Foto do escritor: Fernanda Franco
    Fernanda Franco
  • 20 de nov. de 2025
  • 1 min de leitura

Numa atmosfera asfixiante vive uma família de cinco mulheres e uma cadela chamada Alma. O filme se passa inteiramente, assim como a vida das personagens, num hotel tão decadente quanto as suas relações. Sair de si através das palavras, navegar até o outro e tocá-lo: como tornar isso possível? Presenciamos, então, exaustivamente o desencontro enclausurado dessas mulheres cujas vidas se reduziram a repetir e ressentir o passado. Fechadas nesse lugar, aprisionadas por seus próprios medos, elas se atacam e se defendem, numa insustentável recusa, ora silenciosa e apática, ora perversa e escancarada – porém sempre violenta –, sufocando qualquer possibilidade de escuta, encontro e vitalidade. O recurso que conhecem é apenas a apatia de manter-se na superfície, numa espécie de cinismo crônico e contagiante, uma anestesia covarde que produz o seu oposto, sem nunca adentrar ou resolver nada: não se conversa. Com isso, e com cada dor que não se olha, só faz aumentar o buraco. O espaço físico como metáfora para a prisão que é quando insistimos em algo que apenas nos mata aos poucos. As relações como lugares. A continuação como algo que se perpetua ou se transforma. A mesma repetição, no entanto, que engendra o cansaço, vai produzindo também a sua saída.



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