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Cinema com café



Vitória Régia (Denis Cisma, 2026)
Neste curta-metragem brasileiro, Alice Braga vive uma jornalista em um cenário distópico de totalitarismo e devastação ambiental extrema. Com falas e cenas impactantes, o filme funciona como um alerta sobre a urgência de estabelecermos relações reciprocamente vitalizantes, cuidando da potência de nossos territórios naturais. Quais ações ou movimentos (coletivos, individuais, mínimos), quais outras formas de andar no mundo romperiam com esse ciclo de predação que já está acont

Fernanda Franco


Kanikuly (Anna Kuznetsova, 2023)
Este drama cômico russo é um achadinho cinematográfico. Uma professora leva seus alunos a uma viagem para um festival de teatro infantil. Ao longo do caminho, o grupo se depara com afetos, transformações e burocracias mundanas. Vemos nos pequenos gestos fluxos de sentimentos, medos, mudanças, amizade. A direção consegue uma leveza delicada, deixando que os diálogos sejam basicamente marcados por olhares cheios de duração, silêncios e falas simples.

Fernanda Franco


Entre Nós, o Amor (Morgan Simon, 2024)
Já nas primeiras cenas deste drama francês, conhecemos Nicole, uma mulher solitária de 52 anos que vive com seu filho em um apartamento cheio de plantas artificiais. Imitando um passado que já não existe mais, ela meio que decreta para si um excesso e uma impossibilidade. A direção, que mira na complexidade e beleza das relações humanas, parece valorizar o impacto dos afetos imediatos: o bairro onde moramos, os comércios próximos, a vista da janela, as pessoas que encontramos

Fernanda Franco


Folhas de Outono (Aki Kaurismäki, 2023)
Que alívio é assistir a um filme em que não somos bombardeados por mil fatos em um segundo. Esta comédia dramática finlandesa é uma preciosidade – dessas que nos alargam um pouco a existência. Com uma atmosfera terna e provocativa, um ritmo simples e uma poética minimalista, diálogos enxutos e nenhuma pirotecnia, cada silêncio dá corpo às cenas, cada coisa durando o seu tempo. A história conta do afeto que flui através do encontro que acorda seus personagens extremamente soli

Fernanda Franco


A Verdadeira Dor (Jesse Eisenberg, 2024)
Ao longo do filme, os personagens — mesmo destoando como instrumentos tocando músicas diferentes — seguem buscando alguma composição entre si. Embora guiados por uma ingênua insistência numa boa convivência recíproca, o que se apresenta é um ciclo repetitivo de comportamentos antagônicos, sempre oscilando entre a contenção e generosidade excessiva de um e o egocentrismo e impulsividade imatura do outro. Assim, o filme vai criando uma certa tensão que aflige à medida em que o

Fernanda Franco


O Acidente do Piano (Quentin Dupieux, 2025)
Nesta comédia francesa, a protagonista – incorporada de maneira hipnótica pela atriz Adèle Exarchopoulos – é uma influencer milionária que se aproveita de sua condição física de insensibilidade à dor para postar vídeos bizarros e sensacionalistas em situações extremas de maus-tratos ao próprio corpo. O problema todo começa quando uma jornalista decide entrevistá-la e a questiona sobre o que a move a fazer o que faz. Como um espelho indesejado, a pergunta tem o efeito de um de

Fernanda Franco


A Timidez das Árvores (Sofiia Chuikovska, Loïck Du Plessis D'agentré, Lina Han, Simin He, Jiaxin Huang, Maud Le Bras, Bingqing Shu, 2024)
A timidez das copas é um fenômeno botânico que faz com que as copas das árvores não se toquem. Essa distância, esse espaço, parece ser interessante para que as árvores possam existir, mantendo, no entanto, as conexões que lhes são necessárias. Apesar dos seus poucos 9 minutos de duração, esta animação francesa consegue proporcionar uma experiência delicada, e de uma maneira que chega a ser graciosa, apresenta temas como o luto, as diferenças e os nossos processos de transform

Fernanda Franco


Não Me Toque (Adina Pintilie, 2018)
Com uma linguagem incomum, este filme romeno acompanha as experimentações de uma mulher que deseja (re)aprender a se conectar e a construir intimidade com outros seres humanos. Para isto, ela busca profissionais que possam ajudá-la nesse processo, proporcionando-lhe experiências de expressão e liberação física e emocional. Ao longo do caminho, ela se depara com seus medos e anseios – que muitas vezes acontecem ao mesmo tempo – e com o paradoxo das máscaras sociais criadas ju

Fernanda Franco


A Grande Inundação (Kim Byung-woo, 2025)
O que parece ser um filme sobre catástrofe ambiental, em que uma inundação global atinge a humanidade, devastando cidades inteiras, nos surpreende, no entanto, com novas possibilidades à medida em que o tempo vai passando. Assim, o foco da história não é necessariamente sobre como a humanidade vai acabar ou quando. Em vez disso, nos deparamos com questões mais complexas como a importância da memória e das experiências na nossa constituição humana; e da natureza de fluidez da

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Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)
Uma jovem recém-formada em filosofia e um ator super famoso se conhecem em uma viagem ao Japão. E é nesse lugar de solidão e indeterminação que eles se encontram, de passagem , em pleno caos de Tóquio. O filme chega como uma celebração do acaso enquanto espaços que abrimos para olhar ao redor — e através dos quais nos conectamos a experiências e afetos que não podemos prever, organizar ou sequer imaginar. Pelo olhar sensível e sutil de Sofia Coppola, podemos nos lembrar que a

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A Sala dos Professores (İlker Çatak, 2023)
Neste drama tenso alemão, uma professora de matemática enfrenta a ira de algumas pessoas ao investigar roubos misteriosos que estão acontecendo numa escola. A câmera de İlker Çatak enfatiza os silêncios, olhares e gestos corporais, além de conectar as dinâmicas sociais com os espaços, humanizando de forma sensível e quase geométrica os personagens e suas relações. O uso do plano-sequência em algumas cenas também contribui para intensificar a sensação de pressão interna e conf

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Dreams (Dag Johan Haugerud, 2024)
Neste filme vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2025 (o terceiro da trilogia Sex/Love/Dreams), uma jovem escritora se encanta pela professora de francês e o sentimento que ela vivencia é transformado em literatura. A partir do momento em que o texto se torna público, no entanto, algo se modifica na experiência da garota: como quando se explica demais uma obra ou quando nos apegamos excessivamente à factualidade dizível das coisas, chegando a nos distrair de seus se

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O Filho de Mil Homens (Daniel Rezende, 2025)
Um filme que é um grito e um silêncio. Uma ternura que se instala alargando tudo - inclusive as nossas janelas, nossos olhos de ver. Daquilo de que somos feitos, resta-nos amar o que amamos, ouvindo a alegria que acende o fundo do mar. O afeto faz a gente precisar menos das palavras. A realidade apreende o que sonhamos, daí que precisamos sonhar mais. E libertar todo grito guardado. Tirar a poeira dos sonhos. E acordar.

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Mal Viver (João Canijo, 2023)
Numa atmosfera asfixiante vive uma família de cinco mulheres e uma cadela chamada Alma. O filme se passa inteiramente, assim como a vida das personagens, num hotel tão decadente quanto as suas relações. Sair de si através das palavras, navegar até o outro e tocá-lo: como tornar isso possível? Presenciamos, então, exaustivamente o desencontro enclausurado dessas mulheres cujas vidas se reduziram a repetir e ressentir o passado. Fechadas nesse lugar, aprisionadas por seus própr

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Frankenstein (Guillermo del Toro, 2025)
Neste filme baseado no clássico literário de Mary Shelley “Frankenstein ou o Prometeu moderno”, o humano é retratado como um ser decadente, obcecado em eternizar-se, contando predominantemente com os pressupostos da ciência, sem antes (ou ao mesmo tempo) ter exercitado suas instâncias afetivas, suas potências mais fundamentais – essas tão atrofiadas ainda. A narrativa nos provoca sobre o quão primitivos, predatórios e destrutivos ainda somos – apesar da nossa complexidade nos

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Amélia (Ana Carolina, 2000)
Basicamente uma história de colisão entre culturas, olhada pelo viés do humor. Para além de possíveis leituras críticas, histórico-políticas, que ele evoca, o longa contém uma força cômica rara de ver no cinema. Embora me pareça dispensável a presença de certa jocosidade na relação das personagens com os animais ao longo da obra (ao meu ver, desnecessária, aleatória e gratuitamente hostil), abstraído esse descuido narrativo, o filme tem uma graça peculiar, um humor realmente

Fernanda Franco
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