Frankenstein (Guillermo del Toro, 2025)
- Fernanda Franco

- 8 de nov. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 9 de nov. de 2025
Neste filme baseado no clássico literário de Mary Shelley “Frankenstein ou o Prometeu moderno”, o humano é retratado como um ser decadente, obcecado em eternizar-se, contando predominantemente com os pressupostos da ciência, sem antes (ou ao mesmo tempo) ter exercitado suas instâncias afetivas, suas potências mais fundamentais – essas tão atrofiadas ainda. A narrativa nos provoca sobre o quão primitivos, predatórios e destrutivos ainda somos – apesar da nossa complexidade nos permitir direções tão mais interessantes – pois lidamos ainda com o medo e com a dor fazendo guerra, ferindo e matando. Em vez de aniquilar as diferenças, del Toro, no entanto, as afirma todas: através de suas criaturas repletas de estranhamento e ternura, nos traz desta vez a inocência encapsulada num corpo cheio de cicatrizes e fragmentos, feito de uma pluralidade de existências, porém preservando uma consciência aberta e porosa, uma curiosidade de criança ou bicho que vê tudo pela primeira vez. O bizarro, o monstro, no fim das contas, seria, talvez, permanecermos, enquanto espécie humana, tão atrasados e prisioneiros de ambições tão mesquinhas, distraídos do que importa, desprovidos de tempos e espaços de vitalidade, empobrecidos como os solos e as paisagens áridas das grandes cidades. Nesse sentido, a criatura ou “o espírito da floresta” corporifica um banquete afetivo porém solitário, um ponto luminoso, um contraste no meio de tanto fogo e de tanto tiro, doendo a todo instante, mas mesmo assim sempre se refazendo – mais forte a cada confronto, mas também mais triste.




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