A Verdadeira Dor (Jesse Eisenberg, 2024)
- Fernanda Franco

- 15 de mar.
- 1 min de leitura
Ao longo do filme, os personagens — mesmo destoando como instrumentos tocando músicas diferentes — seguem buscando alguma composição entre si. Embora guiados por uma ingênua insistência numa boa convivência recíproca, o que se apresenta é um ciclo repetitivo de comportamentos antagônicos, sempre oscilando entre a contenção e generosidade excessiva de um e o egocentrismo e impulsividade imatura do outro. Assim, o filme vai criando uma certa tensão que aflige à medida em que o conflito é sempre adiado. Nessa atmosfera, será possível conectar-se com a experiência de ambivalência de sentimentos que alguns encontros nos despertam. Paralelamente, a memória surge enquanto lugar de atravessamento e produção do presente: as coisas se continuam enquanto processos. Ruínas e cicatrizes do holocausto funcionam como uma paisagem psíquica, indicando a ambiência que paira sobre esse encontro entre mundos. O timing cômico da direção de Eisenberg consegue contrapor leveza e solidão, resultando numa espécie de equilíbrio inesperado e reticente.





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