A Grande Inundação (Kim Byung-woo, 2025)
- Fernanda Franco

- 13 de jan.
- 1 min de leitura
O que parece ser um filme sobre catástrofe ambiental, em que uma inundação global atinge a humanidade, devastando cidades inteiras, nos surpreende, no entanto, com novas possibilidades à medida em que o tempo vai passando. Assim, o foco da história não é necessariamente sobre como a humanidade vai acabar ou quando. Em vez disso, nos deparamos com questões mais complexas como a importância da memória e das experiências na nossa constituição humana; e da natureza de fluidez da realidade. O caráter cíclico das experiências da personagem ao longo da trama pode funcionar como uma alegoria para um tipo de reflexão como a do eterno retorno, em que tudo pode e precisa ser afirmado – até mesmo os mais desagradáveis abismos. A cada situação que a personagem enfrenta, algo nela se alarga e se atualiza – e por mais dolorido, nada pode (nem precisa) ser eliminado, negado. Eterno retorno não porque a experiência se repete, mas porque apenas afirmando e estando em todas elas é que a personagem consegue integrar o que precisa. Não há atalhos possíveis, a não ser estar dentro ou no fluxo da própria experiência.





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