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Dreams (Dag Johan Haugerud, 2024)

  • Foto do escritor: Fernanda Franco
    Fernanda Franco
  • 3 de jan.
  • 1 min de leitura

Atualizado: 6 de jan.

Neste filme vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2025 (o terceiro da trilogia Sex/Love/Dreams), uma jovem escritora se encanta pela professora de francês e o sentimento que ela vivencia é transformado em literatura. A partir do momento em que o texto se torna público, no entanto, algo se modifica na experiência da garota: como quando se explica demais uma obra ou quando nos apegamos excessivamente à factualidade dizível das coisas, chegando a nos distrair de seus sentidos mais imanentes. A poética do filme a todo tempo nos convida a um olhar sobre como permitimos nos mover a partir do desejo e o quanto vivemos em uma espécie de recusa. A personagem que reza no momento em que o desejo se acentua é talvez um retrato dessa recusa: ela ao mesmo tempo que não se retira, desvia. Nem afirma o não, nem afirma o sim. A escrita da menina, porém, em contraste a uma recusa, nos remete a um ato radical de coragem em direção aos fluxos que ela aceita sentir completamente. O ato de escrever, já em si mesmo, e enquanto instante, se estabelece como uma aceitação, uma celebração (alegre ou triste, não importa), uma presença viva e incondicional diante do que está sendo. E para concluir, nada melhor do que uma indagação: o que moveria a nossa vontade ou necessidade de escrever ou fotografar ou fazer algum tipo de registro do que nos acontece? Refiro-me, aqui, a registros mais delicados, que se dão quando nos deparamos com algo que nos afeta de uma maneira tão irreversível que a necessidade de registro é inevitável como é inevitável tomar água quando temos sede.



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