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Cinema com café



Kanikuly (Anna Kuznetsova, 2023)
Este drama cômico russo é um achadinho cinematográfico. Uma professora leva seus alunos a uma viagem para um festival de teatro infantil. Ao longo do caminho, o grupo se depara com afetos, transformações e burocracias mundanas. Vemos nos pequenos gestos fluxos de sentimentos, medos, mudanças, amizade. A direção consegue uma leveza delicada, deixando que os diálogos sejam basicamente marcados por olhares cheios de duração, silêncios e falas simples.

Fernanda Franco


Entre Nós, o Amor (Morgan Simon, 2024)
Já nas primeiras cenas deste drama francês, conhecemos Nicole, uma mulher solitária de 52 anos que vive com seu filho em um apartamento cheio de plantas artificiais. Imitando um passado que já não existe mais, ela meio que decreta para si um excesso e uma impossibilidade. A direção, que mira na complexidade e beleza das relações humanas, parece valorizar o impacto dos afetos imediatos: o bairro onde moramos, os comércios próximos, a vista da janela, as pessoas que encontramos

Fernanda Franco


Folhas de Outono (Aki Kaurismäki, 2023)
Que alívio é assistir a um filme em que não somos bombardeados por mil fatos em um segundo. Esta comédia dramática finlandesa é uma preciosidade – dessas que nos alargam um pouco a existência. Com uma atmosfera terna e provocativa, um ritmo simples e uma poética minimalista, diálogos enxutos e nenhuma pirotecnia, cada silêncio dá corpo às cenas, cada coisa durando o seu tempo. A história conta do afeto que flui através do encontro que acorda seus personagens extremamente soli

Fernanda Franco


A Verdadeira Dor (Jesse Eisenberg, 2024)
Ao longo do filme, os personagens — mesmo destoando como instrumentos tocando músicas diferentes — seguem buscando alguma composição entre si. Embora guiados por uma ingênua insistência numa boa convivência recíproca, o que se apresenta é um ciclo repetitivo de comportamentos antagônicos, sempre oscilando entre a contenção e generosidade excessiva de um e o egocentrismo e impulsividade imatura do outro. Assim, o filme vai criando uma certa tensão que aflige à medida em que o

Fernanda Franco


Dreams (Dag Johan Haugerud, 2024)
Neste filme vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2025 (o terceiro da trilogia Sex/Love/Dreams), uma jovem escritora se encanta pela professora de francês e o sentimento que ela vivencia é transformado em literatura. A partir do momento em que o texto se torna público, no entanto, algo se modifica na experiência da garota: como quando se explica demais uma obra ou quando nos apegamos excessivamente à factualidade dizível das coisas, chegando a nos distrair de seus se

Fernanda Franco


Pluribus (Vince Gilligan, 2025)
Uma mulher se vê num mundo em que toda a complexidade humana foi substituída por uma mente unificada: uma espécie de vírus psíquico que infectou a humanidade determinando completamente os seus modos de estar na vida. Apartadas e sequestradas de suas emoções e singularidades, as pessoas passam a agir a partir dessa mente-central, numa pseudoexistência pacata e apática, sob uma aparente harmonia permanente. Nessa nova sociedade sem espaço para o conflito, para os ritmos e para

Fernanda Franco



Fernanda Franco



Fernanda Franco


O Homem das Multidões (Cao Guimarães, Marcelo Gomes, 2013)
Como ainda conectar-se à vida diante de tantos excessos? O cansaço que é quando apenas “funcionamos”. Este filme delicadamente, como um ponto de fuga, nos abre novas direções de silêncio de onde a potência do instante nos observa. Como tecer um outro uso da linguagem/palavra/gesto que nos intensifique a presença? Brotação. Num mundo cada vez mais interessado em organizar nossos corpos e tempos, ruas, estradas e prédios, atropelando e escurecendo. Encontrar então um ritmo próp

Fernanda Franco


Meu Bolo Favorito (Maryam Moghaddam, Behtash Sanaeeha, 2024)
Quando uma coisa de repente se torna outra e nos apanha de um jeito inesperado — que nunca sabemos muito bem o que esperamos ou como o...

Fernanda Franco


Noites de Cabíria (Federico Fellini, 1957)
Este filme é um abraço longo e apertado na nossa inocência. Cabíria, ao se relacionar com o mundo a partir de um lugar aberto, vulnerável...

Fernanda Franco


Gloria Bell (Sebastián Lelio, 2018)
Um filme sobre o encontro com a própria autenticidade que surge quando não limitamos nossa expressão à aprovação ou desaprovação do outro. Encontrar com isto que se move em nós a todo tempo e em cada instante, como quem mergulha em um rio em fluxo incessante. Um filme sobre a imensa e frágil coragem de se ouvir e de se permitir dançar ao seu modo, ou seja, ao modo que a vida se apresenta em você.

Fernanda Franco


Medianeras (Gustavo Taretto, 2011)
Pensar a cidade como uma analogia dos excessos, dos descuidos e aberrações arquitetônicas, mas também como um cenário afetivo rico de encontros. Pensar os afetos como tudo que adentra uma janela. Pensar os encontros a despeito dos descuidos. Pensar as forças que fazem dois corpos se encontrarem - ou não.

Fernanda Franco
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