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The Royal Hotel (Kitty Green, 2023)

  • Foto do escritor: Fernanda Franco
    Fernanda Franco
  • 14 de set. de 2025
  • 1 min de leitura

Neste despretensioso suspense australiano, somos paulatinamente colocados em um ambiente de tensão permanente. Duas moças que vão passar férias em um local remoto deparam-se com um cenário habitado basicamente por homens. A atmosfera de hostilidade com que elas são tratadas e coisificadas, ora normalizada com tons de brincadeira e piada, ora intensificada por atos de violência palpável, é o ar que o filme nos faz respirar. Não é preciso dizer o quão tudo vai se tornando mais e mais asfixiante. Inspirado em ocorrências reais (retratadas anteriormente no documentário Hotel Coolgardie, de 2016), o longa problematiza de maneira bastante visceral – e até mesmo didática – como é estar na pele feminina, vivendo em um constante estado de insegurança, tensão e desconforto, quase sempre com alguma sensação de perigo à espreita. O filme então nos presenteia ao contrário (risos nervosos), como quem devolve o desconforto e convida – não apenas, mas principalmente ao público masculino – a uma experiência que dificilmente eles conheceriam na própria pele: que é o lugar que toda mulher conhece bem, de quase nunca se sentir segura (física e psicologicamente) em canto algum.



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