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Ratched (Ryan Murphy, 2020)

  • Foto do escritor: Fernanda Franco
    Fernanda Franco
  • 21 de mar.
  • 2 min de leitura

Uma série visualmente impecável, fazendo um uso bastante interessante das cores, que muitas vezes expressam — através dos contrastes ou da saturação — a paisagem interna dos personagens. Um de seus pontos fortes, entre muitos outros, é a maneira como se apresenta a complexidade humana dos personagens, em seus aspectos profundos e multidimensionais. Sermos surpreendidos com ternura onde esperamos crueldade (ou vice-versa) e com empatia onde esperamos frieza (ou vice-versa) é uma das experiências que vivenciamos ao assistir à série, que nos entrega uma visão humana ao mesmo tempo dramática, eventualmente sombria, no entanto também aberta e generosa. A história se passa em um hospital psiquiátrico, num contexto de pós-guerra do final da década de 40. As personagens centrais são mulheres, que são retratadas com autonomia e força, enquanto os homens são apresentados como seres mais problemáticos e periféricos. Não se trata de uma mera dicotomia, mas talvez de uma provocação sofisticada e bem humorada, convocando-nos por um instante a uma espécie de inversão do patriarcado. O uso do humor, aliás, muitas vezes na forma de ironias diante de situações absurdas ou patéticas, é outro ponto forte da série. Temas como torturas e práticas extremamente invasivas e dolorosas que fizeram parte da história da psiquiatria também são trazidos à pauta. A produção recebeu indicações ao Emmy e ao Globo de Ouro, destacando-se pelas atuações precisas e potentes, em especial das atrizes Sarah Paulson e Judy Davis: a primeira incorpora a enfermeira protagonista Mildred Ratched, que simula na superfície uma personalidade controlada e plácida, em contraste ao seu mundo interno obsessivo, frágil e sombrio; enquanto a segunda faz a enfermeira coadjuvante Betsy Bucket, com um trabalho corporal incrível digno de um Oscar.



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