Estamira (Marcos Prado, 2004)
- Fernanda Franco

- 8 de fev.
- 1 min de leitura
Este documentário, que originalmente tinha como proposta uma investigação sobre os impactos ambientais, depara-se com a potência de Estamira. A partir desse encontro, o filme toma outra força e direção. Com sua alma incapturável, Estamira mesmo vivendo em um ambiente adoecedor como um aterro sanitário, repleto de contaminantes e gases tóxicos, em meio ao lixo ou aos "restos", como ela diz, nos dá uma aula de presença, resistência e sabedoria. Ao longo do filme, vamos conhecendo um pouco do contexto de suas histórias e traumas, seu ambiente familiar, seu cotidiano, mas mais ainda a sua lucidez e a autenticidade com que vê e se relaciona com o mundo. Estamira é uma força que se ergue no horizonte, um retrato potente de um corpo que resistiu e sobreviveu — não sem sequelas — a despeito das forças sócio-econômicas destrutivas que oprimem, capturam e adoecem a nossa sociedade. O filme também abre portas para reflexões sobre a patologização da "loucura", deixando espaço para pensarmos como historicamente foram surgindo estratégias de confinamento e exclusão para os seres que sentissem, se expressassem ou pensassem diferente da norma padrão.





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